Há algum tempo tenho lido
diversos comentários, e posts em redes sociais que têm me feito pensar sobre os
tempos em que vivo.
A
impressão é de estar numa verdadeira guerra civil, onde pessoas de bem lutam
contra grupos inescrupulosos que só visam enriquecer, querendo manter a todos
pobres e ignorantes, comandados pelos machistas, homofóbicos, capitalistas,
pelos EUA, pela direita, idolatrando Temer e Bolsonaro, com aval da Globo, e
demais elementos da “grande mídia”, totalmente alienados, querendo entregar o
pré sal.
Porém,
quando saio às ruas, não vejo combates, não vejo agitações, apenas as pessoas
vivendo sua vida.
Os
leões de internet me irritam. São uma raça corajosa, falante, e cheia de opinião...dentro da segurança do campo de batlha virtual.
Diziam “Je
ne suis pas Charlie” quando extremistas cometeram um atentado em Paris,
criticaram aqueles que colocaram a tricolor, alegando que foram desrespeitosos
com Alah, que simbolizaram a tentativa do ocidente impor seus valores, porém,
ficam gritando contra a falta de ação dos países ocidentais dentro de países
médio orientais que perpetuam uma cultura de repressão à mulher.
Achincalharam
aqueles que se mostraram solidários ao drama dos atentados na França, pois
havia ocorrido uma tragédia em Mariana, e a “Grande mídia” havia feito com que
não enxergassem o que ocorre aqui. Hoje ficam preocupados com a questão dos
refugiados da Europa, e fecham os olhos para a questão dos Haitianos no Brasil.
Criticaram
o fato dos EUA e seus aliados não terem apoiado de pronto Assad na luta contra
o ISIS, que foram coniventes, porém se esquecem que quando o conflito começou
em 2011 a mensagem da OTAN foi clara, só interveremos se Assad deixar o poder e
fizer uma abertura democrática, disseram que tinham interesse em derrubar o regime
para explorar o petróleo, porém hoje ficam fazendo campanha para que a mesma
OTAN destitua Assad porque suas tropas estão cometendo um verdadeiro genocídio
em Aleppo. Será que lá em 2011, esses luminares, verdadeiros salvadores da
humanidade, não viam que isso poderia acontecer?
Nosso
país está numa crise econômica e institucional sem precedentes. Porém, é
ingenuidade pensar que a culpa foi de um grupo golpista, que causou tudo isso
em poucos meses.
Ficam
idolatrando um calhorda oportunista, que há 14 anos, quando assumiu o poder,
fora alertado pelo governo de transição (Aliás, seus simpatizantes nunca se
lembram que o governo anterior havia feito uma transição democrática, que “nunca
antes na história desse país” ocorrera), que afim de manter o bom momento
econômico e social, deveriam ocorrer reformas de base, impopulares,
tremendamente impopulares. Por que fazer isso, e arriscar o plano de
perpetuação do poder?
Essa
mesma turma, na campanha eleitoral de 2010, afirmava que o Pré-sal é nosso,
jamais deveria ser passado à iniciativa privada. Em 2013, após os protestos,
abriram um leilão do campo de Libra, porém afirmaram que não era uma
privatização, era uma parceira estratégica.
Quando
a sujeira das propinas, das tenebrosas transações, como dizia uma canção de um
de seus ícones, atingem seus líderes, a justiça é parcial, golpista, porém, ao
atingir seus opositores, é o início da moralização.
Estou
cansado disso, estou cansado de palavras de ordem, de gente que luta pelo fim
da “cultura do estupro”, que acha que o impeachment foi uma atitude machista,
que o atual presidente foi um golpista, porque ninguém votou nele (Será que
ninguém votou na chapa em que foi vice?).
Se
somos contra esses facínoras do PT, não somos necessariamente a favor de Temer, não somos
Olavetes, não somos Bolsonaro. Político não é, nem deve ser ídolo.
Que
imploda a atual turma do congresso, que se prendam Lula, Dilma, Dirceu, Serra, Aécio, e quem mais estiver envolvido em corrupção.
O que
muitas vezes me entristece, é que todos que ficam gritando essas palavras de
ordem, muitas vezes são pessoas de boa educação formal, que se enxergam com o
supra sumo da intelectualidade (Elite não, afinal toda elite é golpista-risos),
e de bom senso. O pior é que muitas vezes nem adolescentes são, muitos já passaram dos 40 anos. É para esses indivíduos que escrevo.
Sabe,
eu gostaria de fazer uma recomendação a vocês, há cerca de 60 anos, George
Orwell, um ex comunista, escreveu Animal Farm (A revolução dos Bichos),
Gostaria que lessem com cuidado, e relessem se possível.
Fiquem
tranquilos, o livro não é longo, afinal sei que preferem se informar pelos
textos curtos e dinâmico, cheios de figurinhas, das cartilhas e panfletos que
seus grupos políticos usam como fonte.
Mas
aqui, faço outro pedido, se por acaso forem ler, mesmo com personagens
marcantes como o porco Napoleão, o cavalo, o burro, a cadela, os cães, prestem
muita atenção nas ovelhas, pensem nas ovelhas.
Se
vocês não gostam de livros sem figuras, existem versões em quadrinhos, para o
cinema, em desenho animado, e até em disco (Animals, de 1977, do Pink Floyd),
porém, prestem atenção nas ovelhas, pensem nas ovelhas
Não
pensem como ovelhas